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Autoretrato: Eles e Eu Acrilico s/ papel Foto: Roncalli Dantas |
Alguns artistas pretendem o
trânsito em relação ao sistema artístico contemporâneo. Ao invés do
pertencimento a uma cena, a um bloco discursivo em voga, que se utiliza de um
“código” aceito pela maioria, eles buscam o envolvimento com questões cotidianas
e procuram soluções que inclui o fazer artístico no interior de uma postura de
vida, e de suas decisões diárias.
Em João Pessoa, Serge Huot, Marco
Aurélio Damasceno, Luis Barroso e Geh Lima são alguns exemplos que seguem essa
vertente, cujo “ato de fazer” não se desvincula do que são, produzindo uma
poesia longe do trocadilho, da retórica, do jogo e próximo do que se poderia
chamar de crônicas visuais individuais.
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Ultimo Fôlego Técnica mista: gravura, pastel, acrílico Foto: Roncalli Dantas |
Geh Lima, com apenas 20
anos de idade, já possui a capacidade de emprestar aos seus objetos essa carga que “aponta”, que “indicia”
suas escolhas e sua identidade. Seu trabalho vai além da representação de um “código
histórico artístico estabelecido” que se fecha formalmente seja pelo
abstracionismo, pelo modernismo, ou pelo regionalismo, nem se limita tecnicamente
a uma modalidade apenas, visto que transita desde o desenho, através de suas
anotações de sonhos, passando pela gravura, pintura e ultimamente projetando instalações.
Para esta exposição na Aliança
Francesa, seus trabalhos estão organizados em duas temáticas. Um
primeiro momento, que aborda a voracidade, o consumo e um outro bloco de obras que
envolve seus autoretratos dialógicos, em que o sujeito em trânsito,
fragmentado, está situado entre o “Eu” e o “Eles”.
Roncalli Dantas,
Nov de 2012