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| Cartaz da exposição coletiva Integração 275 no NAC |
terça-feira, 11 de outubro de 2011
A UFPB e as artes visuais entre 2006-2010
sábado, 10 de setembro de 2011
Cris e Dani Calaço: Em que espelho ficou perdida a minha face?

“(...)Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meirelles
“(...)O buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora(...)”.
Arnaldo Antunes
O narciso do espelho, instantâneo do autorretrato, é sempre anterior. Ele viaja entre planos deixando marcas, pistas e mesmo assim não nos deixa fixar. Não nos permite retê-lo por muito tempo.
O narciso do retrato pictórico fixou-se na história da Arte formando uma tradição artística utilizando principalmente imagens de pessoas importantes além dos próprios artístas que se autorretratava. Reis, príncipes, chefes de igrejas, personagens históricos como Joana D`arc, Luís XV foram emoldurados e entre eles os operários especulares Velasquez, Rembrandt, Van Gogh. - Eles se deixaram fixar pela a angústia de tentar guardar seus narcisos, arquivar suas faces, ter a posse do espelho em um momento histórico, usado para manutenção da memória ou do poder. Com o advento da fotografia, nem sempre é a motivação da fixação, do arquivo, da memória que move o artista a se autorretratar. Cindy Sherman, fotografa americana, buscava desaparecer-se como figura individual, singular e se autorretratava para surgir-se em outras personas, que sempre escapava de si, buscando uma representação social do universo feminino de meados do século passado. É dela a frase: “ Quando olho para as imagens, eu nunca me vejo, elas não são auto-retratos. Às vezes eu desapareço”. Sherman perdia-se através da manipulação simbólica da cena e de si mesma, para revelar-se no universo feminino.
Cris e Dani, irmãs gêmeas, na série de autorretratos, embora se alimentem da tradição artística entre a pintura e a fotografia, elas não tem pretensão de eternizarem suas faces, nem tão pouco a intensão de convergir imageticamente o estereótipo do universo feminino contemporâneo. Suas imagens questionam o ato fotográfico do autorretrato, deixando dúvidas sobre o lado do espelho que está visível em suas imagem. As vezes fundindo os dois lados, como se abandonasse o lado de fora, bastando-se apenas reflexo. Outras vezes abandonando o espelho, bastando-se o reflexo físico, uma frente à outra, por serem gêmeas. Então, quem está guardando a face de quem? Que Narciso duplo é esse fixado?
- Como o próprio espelho que produz uma circularidade imagética entre o ser e o seu reflexo, os autrorretratos de cris e dani se alimentam da singularidade de serem gêmeas e multiplicam no campo simbólico as possíveis leituras de suas imagens.
Roncalli Dantas
sábado, 31 de outubro de 2009
Notas de esquecimento

Essa limitação gestual fragiliza a fotografia como arte e ao mesmo tempo revela sua especificidade como linguagem, em que o artista passa a equilibrar-se na corda bamba entre o tempo contínuo e o instante do passado fixado, contido no presente em suas imagens impressas.
roncalli dantas
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Exu entre Dioniso e Apolo
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Eu ponho Construção de Chico Buarque na lousa (com partitura e tudo) e você põe qualquer uma de Jakson do Pandeiro. Quem ganha? Quem ganha?...
Mas é lógico que o grande Chico ganha na lousa. É lógico que a estrutura melódica, harmônica e lingüística de Construção é tecnicamente melhor! Mas onde mora a lógica da performance quando se entrega um violão a Chico e um pandeiro a Jakson?
O que dizer da sofisticada embolada rítmica e corpórea de Jakson? Será mesmo que o baixinho mestiço tinha consciência intelectual do que fazia no palco?
Nós reproduzimos todos os dias na academia a inversão da cena do príncipe Charles dançando com a negra Piná na década de oitenta!
terça-feira, 28 de julho de 2009
Deus e Diabo

- A arte é linguagem?
- Não, a arte surge no instante em que rompe com a linguagem. É expressão de não linguagem.
Mas até que ponto um crítico ou cientista pode dispor das teorias da linguagem para elaborar concepções sobre um trabalho artístico? Será que é possível afirmar que toda obra visual possui elementos no universo da linguagem ou será que é pretensão dos teóricos?
Até pouco tempo atrás eu tinha medo de pronunciar a palavra “diabo”, porque acreditava que o chifrudo co-habitava naqueles sons. Não era só eu que pensava assim, Guimarães Rosa soube como ninguém a arte de pinçar palavras do universo da representação para colocá-las no terreno da substancia e fez isso com maestria no seu livro Grande Sertão Veredas. No outro extremo, o antigo tetragrama YHVH (gráfico) para o nome do Deus de Israel não possui seu correspondente oral. Tamanho era o respeito com a palavra, com o nome, que ao deixar de ser pronunciada, com o tempo, perdeu-se o som original. Assim, sua tradução pode ser Jeová, Iavé, Jiové etc. Visto que graficamente não existe meios de identificar as vogais do nome. Essa existência do medo na enunciação nos prova que as palavras também podem ser mais do que código, representação. Elas saem da condição de espelho, podendo conter traços do próprio ser a que está representando, sem todavia perder suas características de representatividade em um contexto.
Roncalli Dantas
segunda-feira, 20 de julho de 2009
A cidade, as paredes

Conheço uma cidade que possui casas cercadas por muros, que vive em um mundo sem entorno. Onde, ensimesmada consigo, as pessoas não convergem, e estufam peitos com orgulho de suas paredes. Vivem suas vidas na árdua tarefa de construir muros para procriar seus pequenos feudos, convivendo numa cultura de segredos, em guetos intelectuais, detentores Cult de algo não repartido.
- Caso alguém queira se entranhar em suas avenidas, vai ter que, obrigatoriamente, deparar com as paredes, bater nos portões, esperar que alguém o atenda para depois cheirar o asfalto de lá.
Eles ainda não entenderam que as jóias só adquirem valor depois quetodos da comunidade a conhecem para considerarem valiosas. Que enquanto ninguém as reconhecer, não há nada além de matéria indiferente.
E assim continuam escondendo materiais para si.
Êh vidão!
Porém, boas notícias sopram de lá. Me disseram que eles começaram a ocupar os espaços públicos. - Lugares sem paredes! Famílias inteiras brincando no domingo em praças, locais abertos.
De longe se escuta as vozes, os sorrisos.
Finalmente alguns estão aprendendo que nesses tempos virtuais ninguém é detentor de território algum. Falta agora os artistas dessa cidade perceberem isso!!!
Roncalli Dantas
terça-feira, 2 de junho de 2009
circuladô de fulô
“Circulado de fulô, ao deus ao demo dará, que deus te guie porque eu não posso guiá”.
Haroldo de Campos/Caetano Veloso
Alguém sabe onde estão as instalações de Rodolfo Atahyde? Onde posso encontrar os primeiros trabalhos de Diógenes Chaves? Vocês me dão o paradeiro dos trabalhos realizados entre 1979 e 1983 no Núcleo de Arte Contemporânea? Porque não temos praticamente nada de Antônio Dias? Porque não vemos nenhum trabalho da série dos títulos em latin de José Rufino? Porque não temos uma parede com as fotografias da performance de Chico Pereira em “Um dia de sol”? Será que eu mostrarei algum trabalho da série “desenhos secretos” de Fabiano Gonper a alguma criança?
A arte, como diz Roland Barthes, surge entre a memória e a liberdade e o que existe em nossa cidade é um vácuo da presença visual de alguns pilares artísticos. Que referencial um artista que não segue uma pesquisa estética na linha figurativa, armorial, pictórica e naif pode ter em nossa cidade?
Enquanto isso, me perco, dançando como um cego, ouvindo o som urbano sampleado entre jazz, coco, caboclinho de Chico Correia, os ritmos afros do Burro Morto e a discotecagem de Verdeee no Espaço Mundo.
Roncalli Dantas
